UE e China fazem acordo para reduzir exportações de carros híbridos chineses
Negociação prevê corte pela metade nos próximos quatro anos
AUnião Europeia e a China anunciaram na sexta-feira, 9, em Pequim, um acordo em relação ao comércio de veículos híbridos. O entendimento prevê a queda de mais da metade nas exportações chinesas de híbridos e híbridos plug-in para o bloco europeu ao longo de quatro anos. As negociações sobre carros elétricos, no entanto, seguem em aberto.
O anúncio veio após dois dias de reuniões entre o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, e o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao.
O acordo se estabelece em conformidade com as regras da OMC, segundo destaca comunicado do Ministério do Comércio Chinês, como também deixa agendada novas rodadas de negócios em janeiro e março de 2027 em nível ministerial.
O mecanismo de implementação do acordo ainda não foi detalhado por nenhuma das partes, apenas a previsão de uma coletiva de imprensa com Sefcovic.
Temas ainda para negociar
Ambas as partes seguirão em tratativas sobre compromissos de preços sobre carros elétricos. Na prática, um preço mínimo de importação que pode substituir as tarifas antissubsídios aplicadas pela UE desde outubro de 2024. Também há indefinições a respeito de quotas ou preços sobre os modelos híbridos.
Setor reage com cautela
A Acea, associação que representa as fabricantes europeias, recebeu o acordo como “passo positivo” para reduzir as tensões comerciais. A diretora-geral Sigrid de Vries alertou, porém, para os riscos de desequilíbrio.
“Uma desestabilização aguda e súbita do mercado na Europa, junto com guerras de preço, que espelham a situação atual da China, seria altamente disruptiva para a economia europeia como um todo”, observou em comunicado.
Dados da própria Acea mostram a dimensão do avanço chinês. No primeiro semestre de 2026, as marcas chinesas detinham 14% do mercado europeu de híbridos frente a 2% em 2024. Na mesma base de comparação, os híbridos plug-in chineses participavam com 25% dos veículos com essa tecnologia, mas tinham também 2% há dois anos.
Do lado chinês, a associação dos fabricantes CCAM defendeu que empresas elegíveis usem os compromissos de preço como alternativa às tarifas, posição que ganhou força nas tratativas sobre elétricos.
Pano de fundo
As tarifas europeias sobre os elétricos chineses abriram espaço para a explosão dos híbridos, que não pagam sobretaxa. Os embarques mensais saltaram de 3.800 unidades em outubro de 2024 para 50 mil em julho de 2026.
Pequim rejeitou na semana passada o pedido de Bruxelas por um limite voluntário, que fixava teto de 15% de participação de mercado para os híbridos chineses, hoje acima de um terço.
A Comissão Europeia estudava medidas de salvaguardas unilaterais, com um modelo de tarifa-cota, caso as conversas fracassassem. Segundo cálculo da Comissão Europeia, o déficit comercial da UE com a China supera €1 bilhão por dia.
Fonte: Grupo Photon.
